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Por que mulheres competentes também sentem que não estão dando conta?

Foto do escritor: Aline Antunes
Aline Antunes
há 6 minutos
2 min de leitura

Você trabalha, resolve problemas, organiza compromissos, cuida das pessoas ao seu redor e provavelmente é alguém em quem os outros confiam.


Por fora, parece que você dá conta.


Por dentro, talvez exista uma sensação bem diferente:


“Eu deveria estar conseguindo lidar melhor com tudo isso.”


Esse contraste é comum em mulheres competentes, responsáveis e acostumadas a resolver. Mesmo fazendo muito, elas podem terminar o dia com a sensação de que ainda não fizeram o suficiente.


E nem sempre isso tem a ver com falta de organização ou capacidade.


Quando “eu consigo” vira “eu deveria conseguir”


Existe uma armadilha na competência: quanto mais você demonstra que consegue resolver, mais responsabilidades pode acabar assumindo.


No trabalho, torna-se aquela pessoa em quem todos confiam. Na família, aquela que organiza, lembra e antecipa. Nos relacionamentos, aquela que percebe o que precisa ser feito antes mesmo que alguém peça.


Aos poucos, “eu consigo fazer” se transforma em “eu deveria conseguir fazer”.

E quando você não consegue, porque está cansada, porque alguma área da vida exige mais ou simplesmente porque existem limites pode interpretar isso como uma falha pessoal.


O corpo para, mas a mente continua


Sobrecarga não significa apenas ter muitas tarefas.


Existe também o trabalho invisível de lembrar, antecipar, decidir, organizar e se preocupar.


É possível estar sentada no sofá enquanto mentalmente organiza o dia seguinte, pensa no trabalho, lembra de algo que precisa resolver em casa e se preocupa com alguém da família.


O corpo parou.


A mente, não.


Quando esse funcionamento se torna constante, até os momentos de descanso podem deixar de produzir a sensação de estar realmente descansando.


A régua que nunca é alcançada


A autocobrança excessiva cria uma situação difícil: praticamente qualquer escolha parece insuficiente.


Se trabalhou muito, deveria ter dado mais atenção à vida pessoal.


Se priorizou a família, deveria ter produzido mais.


Se descansou, poderia ter aproveitado para resolver alguma pendência.


Se disse “não”, sente culpa.


Se disse “sim”, fica sobrecarregada.


Perceba: não existe escolha capaz de satisfazer completamente essa régua.


Talvez por isso tantas mulheres capazes continuem sentindo que estão falhando.


Talvez você não precise aprender a dar conta de tudo


Quando a sobrecarga aparece, é comum tentar resolver o problema aumentando a eficiência: organizar melhor a agenda, criar uma rotina, produzir mais, ter mais disciplina.


Às vezes isso ajuda.


Mas organização não resolve uma vida na qual existem demandas demais para o espaço disponível.


Talvez seja necessário fazer outra pergunta.

Em vez de:


“Como consigo dar conta de tudo?”


experimente perguntar:


“Por que acredito que preciso dar conta de tudo?”


O que realmente precisa ser feito?

O que poderia ser dividido?

O que pode esperar?

O que acontece quando você decepciona alguém?

Por que descansar parece precisar ser merecido?


Essas perguntas não têm respostas prontas.


Mas podem revelar muito sobre a maneira como você aprendeu a se relacionar com responsabilidade, desempenho e valor pessoal.


A psicoterapia pode ser um espaço para compreender esses padrões antes que seja necessário chegar ao limite.


Porque talvez o problema não seja você estar dando conta de menos.


Talvez seja a quantidade de coisas das quais você aprendeu que deveria dar conta.


Reconhecer seus limites não diminui sua competência.


Pode significar apenas parar de usá-la contra você mesma.

 
 
 

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